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MARIM ROMANO Reconstituição topográfica e funcional do sítio romano de Marim, no Algarve |
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Luís Fraga da Silva Campo Arqueológico de Tavira, 2006-8
A verão on-line do estudo é constituída por um texto ilustrado e por mapas vectoriais anexos, em ficheiros pdf separados, correspondentes às figuras da coluna à esquerda.
Foi um importante aglomerado não urbano, situado junto a um porto natural da laguna de Faro-Olhão, no território de Ossonoba, no Sul da província romana da Lusitânia. Praticamente destruído desde a sua descoberta por Estácio da Veiga em finais do séc. XIX, o sítio ficou notável por uma rica e invulgar colecção de epigrafia funerária, por desenhos e espólios de edifícios importantes, para além da notícia de um tesouro de 100 solidii do imperador Honório. Este estudo reconstitui a hipotética topografia antiga do lugar e discute o perfil funcional e a evolução histórica do assentamento. Marim surge formado por dois núcleos distintos: uma luxuosa villa rústica e um porto, com um complexo que inclui um balneário. No Baixo-Império, a villa terá sido a residência oficial do administrador portuário. Seria um porto-de-escala e um porto-de-abrigo na navegação de longo curso proveniente do Mediterrâneo e da Bética, graças à sua facilidade de acesso pelas barras do Levante, superior à do porto de Ossonoba. Seria também um porto de interface local, nomeadamente com o vicus de Moncarapacho (a provável Stacio Sacra referida na Cosmografia do Anónimo de Ravena) e com o eixo viário para Pax Iulia (Beja). No séc. II a villa pode ter pertencido a um ramo dos Anii, gens hispânica ligada à casa imperial dos Antoninos, com ligações no Algarve. Na vizinhança estabeleceu-se uma fábrica de salgas, num núcleo com funções piscatórias e habitacionais, que funcionou como tal na 2ª metade do séc. II e 1ª do III. Pertenceria à firma da marca IVNIORVM, produtora de salgas e conservas de peixe e de materiais de construção com larga difusão regional. A presença de um templo pagão privado, construído provavelmente c. 360 d.n.E., no estilo do de Milreu (Faro) e S. Cucufate (Vidigueira), mostra que o possessor de Marim era então uma personalidade importante da hierarquia de Ossonoba, familiarizado ou aculturado com os gostos arquitectónicos da corte imperial, então em Treveris (Trier). O tesouro acima referido, de moedas não circuladas e cunhadas entre 395 e 402, revela a importância estratégica de Marim (e, portanto, de Ossonoba) na política hispânica do final do Império e indicia a presença de oficiais fiéis ao imperador Honório, que terão participado, após 407, contra a usurpação de Constantino III, no teatro de guerra da Lusitânia. A derrota do partido teodosiano em 409, seguida pela queda do poder romano em 411, terá sido a causa mais provável da sua não recuperação. Numa época indeterminada, entre os sécs. IV e VII, o sítio passaria a designar-se por *villa Marini, (Vilamarim no séc. XVII), conservando o nome de uma linhagem dos seus possessores.
O seu conhecimento é fundamental para a história da ocupação romana da Região e, localmente, para a história milenária dos modos de ocupação humana da Ria. A parte conhecida do complexo arqueológico abrange uma larga extensão, integrada no Parque Natural da Ria Formosa. O seu estudo e preservação estão em grande risco, devido ao projecto de uma mega-empreendimento turístico-imobiliário, actualmente em curso.
Mapa da extensão conhecida da ocupação romana de Marim
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© Autor e Campo Arqueológico de Tavira Rua Alexandre Herculano, 18 8800-394 Tavira, Portugal |
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